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Na Toscana ou em Nova York...

 Viajar e trabalhar por aí                                                                               Fotos by: Ira

         

     Voltei da minha primeira viagem de longa duração contaminada por essa febre que só tem cura quando a gente sai porta afora de novo já sabendo que vai demorar a voltar. 
     Mas, passar meses viajando custa mais do que meu orçamento permite. 
     Tive então que encontrar um jeito que combinasse comigo e descobri que trocar horas de trabalho por casa e comida reduz meus gastos a praticamente só com as passagens. Assim, posso ficar mais tempo e ir mais longe.


A minha primeira experiência foi na Itália, quando fiquei algumas semanas num cenário daqueles que se vê em filmes: uma solitária casinha de pedra numa colina, um cipreste ao lado, um jardim, um pomar, vários caminhos de chão batido desenhados na imensidão verde dos vinhedos e oliveiras. Sim, sob o sol da Toscana! Ainda tímido, porque era comecinho da primavera.
Minha responsabilidade básica era cuidar de uma simpática cachorra preta, a Vinny, enquanto os donos viajavam. Abrir a porta de manhã, colocar água e comida, passear com ela pelas redondezas. Havia também uma gatinha (Frederica), que passava as noites fora e os dias dormindo junto à lareira. Nas horas de folga, pude conhecer pequenas cidades próximas, como Orvieto, a poucas horas de trem.
Um quarto para chamar de meu na Toscana

Depois, fui para a Região da Emília Romana onde vi outras paisagens e encontrei três companheiros para as caminhadas: Dido, Linda e Laila, mais dois gatinhos ariscos, Neve e Félix. Minha nova anfitriã, tradutora, conseguiu crachá especial para eu participar da Feira de Livros Infantis na Bologna. Com seus amigos, participei das verdadeiras refeições italianas em família. Isso, não tem dinheiro que pague.
A neve caindo antes de eu chegar em casa
Oportunidade de conhecer a Bologna


Nos Estados Unidos, na região de New England, fui recebida por um casal que, além dos seus próprios animais de estimação, o cão Grover e o gato Pooh, recebe outros pequenos animais em casa, dos quais tomam conta enquanto os donos passam o dia fora no trabalho. Foi a vez de fazer muitas trilhas pelos parques e bosques locais, com lagos e cachoeiras. E passar quase todos os meus dias de folga em Nova York , a cerca de 40’ de trem.
A mudança das folhas, com a chegada do Outono, é uma das atrações 
da região de New England, nos Estados Unidos

Meu objetivo ao escolher os Estados Unidos era praticar e melhorar meu inglês. Eles gostariam que eu ficasse por mais tempo, mas eu já tinha acertado com outra família em New Hampshire. Desta vez sem pets, apenas pequenas tarefas como lavar a louça, arrumar os armários, colocar roupas para lavar na máquina. A destacar os maravilhosos jantares que desfrutei em família, com muitas conversas e muitos vinhos. Além de passeios de barco no lago e viagens a Cape Cod, Portland e Boston.
Filadélfia

Eu tinha agendadas algumas outras oportunidades, como plantar flores em Saint Louis, aprender a trabalhar com feijão desde o cultivo até o preparo de enlatados para venda no mercado local em Vermont. Ou uma temporada em Montana, para praticar italiano e português com os anfitriões. Mas, preferi voltar e passar mais alguns meses com a primeira família que me recebeu, em Connecticut, visto que nos acertamos incrivelmente bem. Mais finais de semana em Nova York, passeios a cidades próximas e  à Filadélfia.
Nova York
Bem, para quem tem tempo e disposição, é uma forma de fazer turismo diferente do convencional. Exige uma dose considerável de adaptação às circunstâncias, mas tem compensações.
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