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Ouro Preto (MG)

Panorama histórico                                                 fotos by:Grande Hotel Ouro Preto

                               Ouro Preto proporciona imagens sensacionais, marcantes! Diferente de qualquer outra que já vi, a cidade esparrama suas belezas como um manto de brocados pelos vales e montes, estes quase todos encimados por uma igreja e suas torres. 



                   Pareceu-me estar num hiato entre passado e presente, com suas ruas em pedras, o casario colonial, os oratórios, as pontes, os chafarizes. 
  Ruínas de senzalas, minas antigas e prédios setecentistas convivem com o burburinho dos grupos de estudantes e turistas.
Praça Tiradentes

              Importantes trechos da História do país ainda parecem ecoar na antiga Vila Rica, capital da Província de Minas Gerais até 1897.    
  Na Praça Tiradentes, a estátua do herói é presença marcante que paira altiva sobre todos os recantos do quadrilátero. 
     O ouro que não foi levado embora naqueles séculos recobre as imagens, altares e capelas das dezenas de igrejas locais.
     Da praça principal, estendem-se para todos os quadrantes as principais ruas, em contínuos  aclives e declives (haja fôlego e pernas!), pelos quais se anda bem devagar e se vai recebendo anacrônicos cumprimentos dos moradores: “bom dia!”, “boa tarde!”. Uma delícia para os meus ouvidos e meus hábitos interioranos. As ladeiras de Ouro Preto exigiram de mim resistência para as subidas, controle nas descidas e sensibilidade para admirar todas as belezas do entorno. Saí de lá com essas características reforçadas.
Matriz N. Sra. do Pilar

                     São muitas as atrações, entre as quais menciono (de forma aleatória) as seguintes: Matriz Nossa Senhora do Pilar (a primeira que visitei), considerada um requintado exemplo do barroco nacional, com mais de 400 anjos esculpidos. Sua ornamentação possui cerca de 400 quilos de ouro e 400 de prata. Na sacristia, o Museu de Arte Sacra reúne tesouros em imagens religiosas do século 18, entre as quais uma de Nossa Senhora das Mercês portando brincos de Topázio Imperial, atribuída a Aleijadinho. A entrada é paga e o museu exibe também pratarias, mobiliário e paramentos sacros.
Euzinha, admirando a vista
da janela da casa
que foi de Tomás Antônio Gonzaga

          
          Bem perto dali, fica a casa onde residiu o inconfidente Tomás Antônio Gonzaga, na qual atualmente funciona um Centro de Informações Turísticas. O morador ilustre ficou conhecido pela autoria das liras de “Marília de Dirceu”, nas quais relatava sua paixão por Maria Dorotéia Joaquina de Seixas, que chegou a ser sua noiva.



Igreja Santa Efigênia


               

               O que me atraiu à Igreja de Santa Efigênia (ou Nossa Senhora do Rosário do Alto da Cruz), foi a distância – mais  afastada das igrejas do centro histórico – e a extensa rua estreita e íngreme que me desafiava de longe a cada vez que eu olhava para aquele lado.
     Não resisti e me pus a caminho (confesso que precisei fazer umas três paradas estratégicas). Por uma ou duas vezes pensei em desistir. Chegar lá me deu redobrada satisfação.
       A igreja foi construída entre 1730 e 1790, graças ao ouro da Mina da Encardideira, segundo conta a tradição oral, adquirida por Chico Rei (escravo trazido da África e que, liberto, teria comprado a mina). A Mina Chico Rei (Encardideira), com quilômetros de túneis, é uma das atrações que atraem os visitantes. Dizem que com a extração ele teria pago a alforria de seus súditos, também trazidos da África como escravos, e se tornou uma pessoa respeitada em Vila Rica.
Igreja Nossa Senhora do Carmo



         A Igreja Nossa Senhora do Carmo, construída entre 1766 e 1772, recebeu projeto de Manoel Francisco Lisboa, pai de Aleijadinho. Era frequentada pela aristocracia. Entre outros artistas de renome da época, participaram de sua ornamentação o próprio Aleijadinho e o pintor Manoel da Costa Ataíde.
Museu da Inconfidência
            
        Num dos lados da Praça Tiradentes destaca-se o prédio da antiga Casa da Câmara e Cadeia, onde hoje funciona o Museu da Inconfidência. Para sua construção, iniciada em 1785, trabalharam sentenciados e escravos recapturados dos quilombos, mais um exército de pedreiros, carpinteiros e artistas convocados. O acervo do museu reúne mobiliário, indumentárias e objetos dos séculos 18 e 19, além de um Panteão aos Inconfidentes. 
          No lado oposto da praça, a Escola de Minas funciona no que era o antigo Palácio dos Governadores, que também sedia diversos museus da Universidade de Ouro Preto. Os dirigentes da província ali residiram até 1897, quando a capital foi transferida para Belo Horizonte.
Na sacada da Casa dos Contos

                    O prédio da Casa dos Contos foi construída entre 1782 e 1787 para servir de residência para o administrador de impostos da então capitania. É uma das poucas construções na qual ainda existe uma senzala. Pertence hoje ao Ministério da Fazenda e seu acervo inclui mobiliário dos séculos 18 e 19, instrumentos utilizados para conter e castigar escravos e uma coleção de moedas antigas.

               Vale ainda uma visita à casa onde teria vivido o grande mestre do barroco mineiro, Antônio Francisco Lisboa, ao lado da matriz Nossa Senhora da Conceição, em cuja sacristia funciona o Museu Aleijadinho.

                   À tardinha e à noite ruas, bares e  restaurantes de Ouro Preto ficam apinhados, especialmente no mês de julho, quando se realiza o Festival de Inverno com intensa programação de atividades artísticas e culturais que atraem centenas de visitantes.
                    Um dos points preferidos é o Escadabaixo, que funciona  no porão do Café Geraes na rua mais agitada do centro histórico, a Rua Direita (nome oficial Rua Conde de Bobadela). Mistura diferentes ambientes (restaurante, pub, butiquim) e oferece cardápio com pratos da culinária mineira e internacional, mais petiscos, vinhos, coquetéis e cervejas especiais.  Subindo, o Escadacima é uma loja de cervejas.
                     
Rua de Ouro Preto
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Mais sobre Minas Gerais, no blog, em:
Sabará, Tiradentes, São João del Rey.
- Congonhas do Campo.
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Dicas/experiências:

Alojamento: fiquei no Grande Hotel de Ouro Preto (projetado por Niemeyer), pertinho de tudo, o que facilita os passeios a pé pelo Centro Histórico.
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