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Tromsø - Mini expedição ao Ártico - Trenó de cães (Dog sledding)


Puxadas pela matilha na noite polar
          Assim que soube que iríamos ao Ártico (minha filha, o pai dela e eu), reli A Rainha da Neve, de H. C. Andersen. Contos de fadas, quem ainda os lê? Espantou-me redescobrir tantas imagens recônditas na memória: países longínquos e de nomes estranhos onde o frio é constante, flocos de neve, crianças que com eles brincam, trenós, renas, Lapônia, castelos de gelo, meninas-heroínas. Fui posta pelo destino entre as criaturas privilegiadas com uma infância plena de imaginação (e muitos livros). Ultrapassados os 60 anos, vejo-me entre as que transitam por lugares sempre tidos como sonhos e ainda logram ver muitos deles realizados.                                                                                                           fotos by: Ira
Tromsø
          

          Tromsø, chamada Capital do Ártico, é conhecida por ter muita neve durante o inverno e é um dos pontos de parada do Hurtigruten (navegação costeira pelos fiordes). Chegamos às vésperas do Natal embalados pela esperança de ver uma aurora boreal. O cenário era mais que perfeito: muita neve, noite polar (o sol se põe no final de novembro e volta a aparecer inteiramente só lá pelo final de janeiro).
          
Tromsø (cerca de 13h30min)
                                            


          Entre as atividades propostas havia passeios de trenó puxados por renas ou cães. Apaixonada por huskies, minha filha reservou este último e perdi minha grande oportunidade de ver uma rena de verdade à frente do trenó no dia (ou noite) de Natal. Primeiro, vestimos roupas adequadas para enfrentar o frio extremo (-18°C), em seguida fomos transportadas até a vizinha Malangen, com paisagem ainda mais gelada e nível mais alto de neve para facilitar o trabalho dos cães. Podia-se optar por conduzir o próprio trenó, mas faltou coragem. Tivemos a sorte de pegar aquele que vai à frente de todos indicando a trilha. 
          


           fotos by: Ira
Malangen

          Deslizar pela paisagem branco-azulada, sentindo-me vigiada pela irreal íris lunar estampada como uma hóstia no horizonte no meio do dia, ouvindo o latido excitado dos cães e os gritos de comando da guia foi uma sensação das melhores que experimentei. Está classificada entre os meus momentos mágicos. O frio era tamanho que desencorajava fotografar, só tirar a mão da luva e pegar a câmera significava ter os dedos congelados por vários minutos. Aliás, deu pra ver a baba congelada no focinho dos cães de um trenó que parou ao lado.
                                                 
          No retorno da aventura, quem ainda aguentasse o frio podia visitar o canil dos huskies e seus filhotes. Mas, preferimos aceitar imediatamente o convite para o calorzinho de uma tenda à moda dos lapões (também chamados sámi), onde nos aguardava uma refeição com uma deliciosa sopa e um prato de cozidos que incluía (affe! Senti peninha!) carne de rena.


fotos by Isadora Pamplona
Aldeia lapã (estilizada)
Descobri que gosto de frio, gelo e neve. Desde que adequadamente agasalhada para enfrentá-los, por isso agradeço à minha sobrinha Ângela que me emprestou botas forradas e impermeáveis. Elas resistiram bravamente e mantiveram meus pés sempre aquecidos durante toda a aventura escandinava.
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Dicas/experiências:
Turismo: Site oficial Embaixada da Noruega no Brasil (www)
Tromso (www)
Alojamento: Thon Hotel Polar (www)
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